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	<title>Arquivo de ovário - My Urologia</title>
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	<description>Notícias atualizadas sobre saúde urológica, tratamentos e bem-estar masculino e feminino. Informação de confiança para uma vida com mais qualidade.</description>
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	<title>Arquivo de ovário - My Urologia</title>
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		<title>“Os CSP estão preparados e são uma peça chave na consciencialização da população portuguesa para o cancro do ovário”</title>
		<link>https://myurologia.pt/entrevistas/os-csp-estao-preparados-e-sao-uma-peca-chave-na-consciencializacao-da-populacao-portuguesa-para-o-cancro-do-ovario/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 14:32:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A propósito do Dia Mundial do Cancro do Ovário,&#160;Bárbara C. Barbosa&#160;e&#160;Carolina Roldão, membros do Grupo de Estudos de Saúde da Mulher da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), e especialistas em MGF na ULS do Alto Minho e ULS do Baixo Mondego, respetivamente, fazem uma reflexão sobre o papel do médico de família [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A propósito do Dia Mundial do Cancro do Ovário,&nbsp;<strong>Bárbara C. Barbosa</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Carolina Roldão</strong>, membros do Grupo de Estudos de Saúde da Mulher da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), e especialistas em MGF na ULS do Alto Minho e ULS do Baixo Mondego, respetivamente, fazem uma reflexão sobre o papel do médico de família na deteção atempada de cancro do ovário, bem como seguimento e encaminhamento destas doentes. “Capacitar as mulheres para conhecerem o seu corpo e valorizarem as suas queixas é também um passo importante para melhorar o diagnóstico”, refletem. Leia a entrevista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>News Farma (NF) | De que forma a Medicina Geral e Familiar pode contribuir para a detecção precoce do cancro do ovário? A que sinais devem estes especialistas estar atentos?</strong><br><strong>Bárbara C. Barbosa (BB) &amp; Carolina Roldão (CR) |</strong>&nbsp;Os sintomas do cancro do ovário são muitas vezes inespecíficos e, alguns deles, não se apresentam como queixas que as utentes associam tipicamente a patologia ginecológica o que contribui para que o médico de família seja, em muitos casos, o primeiro especialista a que estas recorrem. Sintomas como aumento do volume abdominal, sensação de enfartamento, saciedade precoce ou mesmo perda de apetite, sensação de peso nos quadrantes inferiores do abdómen ou queixas urinárias (por exemplo, aumento da frequência e urgência urinária) – apesar de, frequentemente, se associarem a outras patologias menos graves – devem gerar uma suspeita e motivar o estudo adicional por parte dos médicos de família.<br>Além disso, um dos papéis fundamentais dos médicos de família é a sensibilização para o tema contribuindo para um aumento da sua literacia em saúde e para que não haja uma desvalorização dos sintomas. Capacitar as mulheres para conhecerem o seu corpo e valorizarem as suas queixas é também um passo importante para melhorar o diagnóstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Quando existe uma suspeita de um diagnóstico que indica cancro do ovário, que benefícios traz a referenciação ágil para as consultas de especialidade? Como é que o tempo de espera entre uma especialidade e outra impacta o prognóstico das utentes?</strong><br><strong>BB &amp; CR |</strong>&nbsp;Segundo dados da GLOBOCAN relativos ao ano de 2022, foram diagnosticados, em Portugal, 682 novos casos de cancro do ovário o que o fez com que ocupasse o décimo primeiro lugar em termos de incidência de cancro no sexo feminino. Contudo, no mesmo ano, foi o oitavo cancro mais mortal.<br>Sabemos que este é, frequentemente, diagnosticado em fases avançadas — cerca de 70% dos casos são detetados nos estádios III ou IV. A taxa de sobrevivência a cinco anos pode ultrapassar os 90% quando o diagnóstico é precoce contudo desce para menos de 30% quando o mesmo ocorre em fases tardias. Assim o diagnóstico e a referenciação atempada são fundamentais para melhorar o prognóstico das utentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Qual o panorama português atual no que à literacia em saúde diz respeito? Os cuidados de saúde primários estão preparados para abordar estes casos?</strong><br><strong>BB &amp; CR |</strong>&nbsp;De acordo com o relatório “Literacia em Saúde em Portugal” de 2016, 11% da população tem um nível de literacia “inadequado” e 38% apresenta um nível de literacia “problemático” o que nos indica que há ainda um longo caminho para percorrer. O facto de não haver um rastreio organizado, ao contrário do cancro do colo do útero ou da mama, contribui para que a preocupação com este tipo de cancro não esteja tão presente na população. Contudo, o facto de o Médico de Família acompanhar as utentes ao longo da vida, conhecer o meio em que se inserem, o seu nível de literacia, os seus fatores de risco e quais as áreas a intervir para a promoção de estilos de vida saudáveis permite que o aconselhamento e a informação transmitida por este possa ser adaptada e individualizada à realidade das utentes.<br>Acreditamos que os Cuidados de Saúde Primários estão preparados e são uma peça chave quer na consciencialização da população portuguesa para a temática do cancro do ovário quer na atuação no mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | A incidência do cancro do ovário, segundo alguns estudos, vai continuar a aumentar nos próximos anos em cerca de 42%. Considera que a Medicina Geral e Familiar pode ter um papel fundamental na jornada destas doentes e, por sua vez, no número de diagnósticos futuros?</strong><br><strong>BB &amp; CR |</strong>&nbsp;Com uma previsão de aumento de cerca de 42% na incidência do cancro do ovário nos próximos anos, torna-se cada vez mais urgente reforçar o papel dos Cuidados de Saúde Primários, em particular da Medicina Geral e Familiar (MGF), na deteção precoce e acompanhamento destas doentes.<br>A observação continuada e a relação de proximidade com a utente permitem ao médico de família reconhecer alterações subtis e sintomas persistentes, muitas vezes inespecíficos. Estes sinais devem ser valorizados, sobretudo em mulheres pós-menopáusicas ou com fatores de risco conhecidos, como mutações BRCA1/BRCA2 ou antecedentes familiares de cancro ginecológico.<br>Mais do que apenas identificar sintomas, o médico de família pode também intervir preventivamente, promovendo literacia em saúde, incentivando a vigilância ativa e assegurando referenciação célere para especialidades hospitalares, quando necessário. Esta articulação eficaz entre níveis de cuidados é essencial para reduzir atrasos no diagnóstico e melhorar os resultados clínicos.<br>Perante uma doença com tendência crescente, torna-se evidente que a MGF deve ser fortalecida com formação específica, acesso a meios complementares de diagnóstico e canais de referenciação ágeis. O seu papel, além de clínico, é educativo, preventivo e coordenador — colocando-a na linha da frente na resposta ao cancro do ovário.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | A propósito do Dia Mundial do Cancro do Ovário, efeméride que chama a atenção para uma doença que se prevê ter mais incidência de ano para ano. Qual deve ser a mensagem reforçada?</strong><br><strong>BB &amp; CR |</strong>&nbsp;O Dia Mundial do Cancro do Ovário, assinalado a 8 de maio, constitui uma ocasião determinante para alertar a população para uma doença cuja incidência e mortalidade continuam a representar um desafio relevante em saúde pública. De acordo com estimativas da International Agency for Research on Cancer (IARC), espera-se um crescimento de aproximadamente 42% no número de novos casos até 2040.<br>A principal mensagem a destacar deve incidir na importância da atenção precoce a sintomas persistentes e pouco valorizados. O cancro do ovário apresenta, nas fases iniciais, manifestações clínicas pouco específicas, como sensação de aumento do volume abdominal, alterações no trânsito intestinal, aumento da frequência urinária ou desconforto pélvico. A ausência de um rastreio eficaz para esta patologia sublinha a importância da vigilância clínica e do conhecimento destes sinais por parte da população.<br>A promoção da literacia em saúde, associada a uma comunicação clara e acessível, é essencial para reduzir o tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico. Paralelamente, é fundamental que os serviços de saúde estejam preparados para responder com celeridade às suspeitas clínicas, assegurando uma abordagem integrada e multidisciplinar.<br>Neste contexto, o Dia Mundial do Cancro do Ovário deve ser uma plataforma de consciencialização pública, mas também um impulso para a melhoria da resposta do sistema de saúde, com vista a diagnósticos mais precoces e a melhores resultados clínicos. Investir em informação é investir em vidas.</p>



<h6 class="wp-block-heading">Referências:<strong><br>1. International Agency for Research on Cancer (IARC). Cancer Tomorrow: Ovarian cancer projections. Lyon, France: World Health Organization; 2020. Disponível em: https://gco.iarc.fr/tomorrow<br>2. National Ovarian Cancer Coalition (NOCC). Ovarian Cancer Signs &amp; Symptoms. https://ovarian.org<br>3. European Society for Medical Oncology (ESMO). Ovarian Cancer: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up, 2023. Disponível em: https://www.esmo.org/guidelines<br>4. Movimento Oncológico Ginecológico. Guia do Cancro do Ovário. Disponível em: https://mogportugal.pt/wp-content/uploads/2023/01/Guia_Cancro_Ovario_19out2022.pdf<br>5. Globocan 2020. International Agency for Research on Cancer (IARC). “Cancer Tomorrow” – https://gco.iarc.fr/tomorrow<br>6. European Society for Medical Oncology (ESMO). Ovarian Cancer: ESMO Clinical Practice Guidelines, 2023.<br>American Cancer Society. “Ovarian Cancer Survival Rates by Stage”, 2022. – https://www.cancer.org</strong></h6>
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